A UEFA Europa League é nosso triunfo!

A UEFA Europa League é nosso triunfo!

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No início da temporada 2011-12, Harry Redknapp declarou ao jornal britânico, The Sun, que dar prioridade a Liga Europa era loucura. O campeonato, na época, não levava à lugar nenhum. Viagens cansativas, gramados em péssimas condições, adversários de baixa qualidade. Uma liga desencantadora, e francamente, dar prioridade a esse campeonato era decair o time a níveis muito inferiores, cansar os jogadores com mais 19 jogos no calendário, se chegasse até a final – Que não era o nosso caso – já que, na época, o Tottenham brigava nas cabeças e o título da Europa League não valia nada além do título e uma vaga novamente à segunda divisão dos torneios europeus.

Até entendo à colocação de Harry. Na época não valia muita coisa mesmo. Tínhamos um time que, individualmente, era superior ao de agora e a meta era sempre brigar por uma vaga na UEFA Champions League.

O britânico, nitidamente, depravava a liga. Odiava jogar quinta-feira à noite, naquela entrada broxante com o estádio quase vazio, pintado de grená e amarelo ouro. Colocava uma mescla de time dois com alguns destaques da base, pouco se importava com o placar. Não é atoa que o time não passava nem da fase de grupos.

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O placar reflete o interesse de Redknapp à UEFA Europa League.

Depois da saída de Harry, André Villas-Boas chegou ao norte de Londres. Em uma realidade totalmente diferente. Não que os Spurs tivessem regredido, mas times como; Chelsea, Arsenal, Liverpool, Manchester United e City estavam caminhando à passos muito mais largos que os nossos. A liga estava começando a enriquecer os 20 clubes que habitavam nela e o nível competitivo estava ficando altíssimo. Sendo assim, viramos a sexta maior força da liga inglesa, se contentando com as migalhas dos maiores clubes.

AVB não depravava a Liga Europa. Até acho que ele foi o técnico dos Spurs que mais levou a liga a sério. Uma pena o time não ser tão competitivo como o de Harry Redknapp ou o de Maurício Pochettino. Villas-Boas teve bons números no torneio, mesmo com a falta de participação e aprovação da torcida, ainda contaminadas com o discurso de Redknapp. Mas para a infelicidade de alguns e alegria da maioria, os Spurs sofreram uma queda vexaminosa nas quartas-de-finais contra a equipe da Basiléia, comandada pelo (ou por um dos) nosso carrasco, o contestado, Mohamed Salah.

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O egípcio foi o nosso destruidor de sonhos e ainda nos fez voltar para Inglaterra com cara de luto.

Mesmo com a eliminação “satisfatória” para a maioria, veio “torcedores” ainda dizendo: “E daí? não perdemos nada de mais. Só foi mais um título sem expressão perdido para uma zebra. Aliás, temos dois desse campeonatinho bosta na nossa galeria.”

Lei do engano, meu caro. A UEFA Europa League a partir daquela temporada começou a ser olhada de uma outra maneira. Clubes com chances zero de ir para o Top four ou Top three das suas respectivas ligas, começaram a investir na UEL, mesmo não valendo de muita coisa. Aos olhos de muitos, um prêmio de consolação pra quem não alcançou a dádiva de competir, no mínimo, seis jogos da Champions League ou pra quem ficou em terceiro nos grupos da maior competição de clubes.

Pois bem, a Liga Europa mudou de vez a partir da temporada passada 2015-16, a liga passou à ser mais interessante. A vaga na Champions League para o campeão da competição finalmente começou a valer. Times de camisa que entortam varal investiram mais pesado ainda para ganhar o troféu. Talvez, para muitos, o caminho mais curto para ir à Champions League.

Os Lillywhite’s na temporada passada botaram o pé no freio na competição, já que na Premier League estávamos sonhando com o título. Por isso, sem muito esforço, o Borussia Dortmund passou o carro nos Spurs nas oitavas-de-finais.

Apagando essa eliminação trágica na UEL, fomos à UEFA Champions League – E acredita? Outra eliminação trágica. Talvez a maior decepção do campeonato dessa primeira fase, os Spurs caíram em um grupo teoricamente imprevisível. Três clubes do mesmo nível, mas na nossa cabeça (clubista), cravávamos o favoritismo absoluto. Depois de seis apresentações nada convincentes, fomos parar na amarga terceira colocação, que nos restava ir visitar uma velha conhecida nossa. A Liga Europa.

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Levar essa taça para Londres seria muito mais que um título. Seria um divisor de águas.

Enfim. Minutos antes do nosso último jogo pela UCL, lembro-me que sintonizei na ESPN para ver às notícias da bola e coincidentemente foi bem na hora que Mauro César estava falando do Tottenham. Chegou a dizer que a torcida local pedia para que o time entregasse o jogo para o CSKA. Com isso, o time cairia para a quarta colocação e teria apenas um foco, que seria a Premier League. Desacreditei. Fui às redes sociais do clube e via que, realmente, a torcida pedia para entregar o jogo. Claramente, o discurso de Redknapp lá no início do texto ainda é o que a torcida pensa da Europa League. Talvez o título da UEFA Europa League nos traga muito mais benefícios e maturidade do que uma simples quarta, terceira ou segunda colocação no Top four nacional.

Um dos maiores defeitos que eu vejo desse Tottenham é a imaturidade no mata-a-mata e em momentos decisivos. Não levo as copas nacionais em consideração, já que o time mescla bem com peças mais antigas, jogadores recém-contratados e em fase de testes, e uma oportunidade de dar mais tempo de jogo aos meninos da base. Enfim. O time não vai bem no mata-a-mata nas competições europeias desde os tempos de Harry Redknapp.

Dar prioridade à Liga Europa não significa mais nos rebaixarmos. Aquele discurso em 2011 é algo para ser esquecido. Concordo com ele em partes. Não é uma liga apreciável, não te prende no sofá para assistir, as torcidas não enchem o estádio até determinada parte do campeonato. Mas os frutos desse título nos levam de volta a fase de grupo Champions League e, além disso, vencendo a UEL, deixa o time mais cascudo, copeiro e mais chato para próxima edição da principal liga européia. O Sevilla é a prova viva disso.

A Liga Europa não tem o mesmo nível técnico da temporada passada, times como; Liverpool, Borussia Dortmund, Bayer Leverkusen, Napoli e Sevilla se encontram em outros patamares. Uns acima e outros abaixo.

O sorteio saiu. Pegamos o Gent. E aí, Pochettino, vai priorizar a Liga Europa ou não? Não digo por todos, mas digo por mim, que sim, eu quero meu time em Estocolmo em maio.

#COYS

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