O North London Derby se despede de White Hart Lane no melhor estilo.

Diário de um torcedor

O North London Derby se despede de White Hart Lane no melhor estilo.

Começo esse texto voltando para minha cidade natal, são 20h13, estou dentro de um ônibus vazio, à noite, descendo a serra, com o ar condicionado trincando de frio, mas não importa. Depois de uma experiência incrível que tive esta tarde perto dos meus amigos e colegas yiddos e alguns gunners frustrados com o baile que teve neste último dérbi em White Hart Lane.Fiz de tudo para ir neste encontro, pois já tinha praticamente o texto em mente e a história que devo contar à você, leitor.

 Depois de uma manhã agitada, uma viagem de aproximadamente 65km (De Praia Grande à São Paulo), cheguei na famosa “selva de pedra”. Muito tempo que não vinha, acho até que minha última vinda foi no último encontro entre Tottenham x Arsenal no White Hart Lane, naquele jogão que terminou em 2-2. Mas precisava vir nesse. Afinal, era o último jogo entre Spurs x Arsenal em White Hart Lane na história. Mesmo não estando lá em Londres, precisava estar perto de amigos e boas vibrações da irmandade spurs para podermos vencer os pseudos nortistas.

Com a rapaziada no pré jogo do encontro!

Com os amigos yiddos no pré jogo do encontro!

Sem enrolação, vamos lá! Mochila nas costas, ansiedade à tona, garganta afiada e com sede – Logo às 10h30 – de cerveja. Chegando lá (Pub), um pouco mais cedo, aquela secada básica no Chelsea não funcionou e tive que ver aquele time insuportável afundar o pipoqueiro time do Everton em casa. Mesmo com a vitória dos blues, a ansiedade aumentava mais e mais a cada pessoa que entrava por aquela porta do pub com a camisa do Tottenham e gritando ‘Come On You Spurs’. E a bendita da 12h30 não chegava logo.

Quando o majestoso Big Ben apontou 16h30, o consagrado árbitro Michael Oliver apitou o início da partida mais importante da rodada. O último North London Derby em White Hart Lane.
Sem sustos, o Tottenham, mesmo sem algumas peças fundamentais – Rose, Walker, Dembele e Lamela – por conta de lesões, soube administrar o primeiro tempo, mesmo com o empate em 0-0. Se bem que perdemos dois gols incríveis, com Alli e Eriksen, no início do jogo. Aquele típico estresse que passamos na maioria dos grandes jogos que temos na temporada. Pensei que iríamos sentir falta desses gols no final, mas o engano veio logo no início do segundo tempo.

E o O'Malleys tremeu... e como tremeu!

E o O’Malleys tremeu… e como tremeu!

 Com a ajuda da massacrante atmosfera do Lane; vibrações positivas de todas as casas e pubs reunidos com torcedores do Tottenham ou até anti-Chelsea, os spurs fizeram com que o Arsenal se sentisse assustado, se acolhesse e jogasse como se estivesse com um ou até dois jogadores à menos. Os gunners foram massacrados e foram dignos de pena no momento que quiseram sair do perfil defensivo e medir forças com o maior do confronto.

O 2-0 ficou barato, muito, por sinal. O juizão foi muito amigão dos pseudos nortistas quando não marcou o pênalti do “mito” chileno, Sánchez, com o bração aberto dentro da área. Se terminasse 3-0, com esse pênalti mal anulado, ainda sairia muito barato para os gunners. Hoje, na penúltima partida no Lane e no último dérbi também lá, o Tottenham quebra a maldição do St. Totteringham’s Day, deixa de ser coadjuvante no confronto, e o melhor… por enquanto, vai encerrando a última temporada invicto em White Hart Lane.

Kane e Alli foram os autores dos dois gols que acabaram, de uma vez, com a maldição do St. Totteringham's Day

Kane e Alli foram os autores dos dois gols que acabaram, de uma vez, com a maldição do St. Totteringham’s Day

Depois dessa experiência incrível que tive hoje, percebi que o primeiro ou o segundo lugar na Premier League são questões de detalhes. Questões de detalhes que aprenderemos com os nossos erros e na próxima temporada estaremos muito mais fortes, caso vencemos ou não essa batalha jogo-a-jogo com o Chelsea. O fim do White Hart Lane não me desce ainda. É como você perder o grande e verdadeiro amor da sua vida pra sempre e ainda não saber dar os primeiros passos sem ela.

Mas a felicidade é a única coisa que podemos proporcionar aos torcedores que comparecem sempre e em grande massa ao estádio; O espetáculo de Trippier e Davies nas alas; Toby, Jan e Dier colossais no miolo de zaga; Wanyama monstruoso nos desarmes; O meio de campo funcionando perfeitamente, mordendo demais o meio de campo do Arsenal. Mesmo incompleto, esses complementos de um time “misto”, montaram um time perfeito que enfrentou um Arsenal muito abatido, com alterações bizarras (Bellerín no banco?) que prejudicaram a qualidade técnica dos nossos adversários. Hoje, ficou carimbado pra sempre que no último NLD em WHL, viria uma vitória com V maiúsculo sobre os nossos maiores adversários. Coisa que não conseguiram fazer com nós à 11 anos atrás no Highbury Stadium.

17 pontos de vantagem pros rivais do Norte e sonho de título vivo!

17 pontos de vantagem pros rivais do Norte e sonho de título vivo, dia perfeito!

O campeonato não acabou. A Premier League ainda vive. É difícil dois tropeços dos blues, mas, também, não é impossível. Enquanto haver chances, não deixarei de gritar, cantar e vibrar por ti, Tottenham Hotspur. Nas últimas duas temporadas que vimos de tudo, um título imprevisível da “galinha de Londres” seria a cereja do bolo pra mostrar à todos que o melhor futebol é na Inglaterra. Não vamos desistir, galera. Ainda tem muita bola pra rolar nessas últimas rodadas.

Aqui estou eu, 05h30 da manhã, de uma madrugada de domingo pra segunda, já em casa, finalizando este texto e agradecendo à todos que compareceram ao “Pub O’Malleys” para prestigiar um dos maiores acontecimentos da nossa história recente. O clássico divisores de águas. Que nos fez quebrar a maldição de 22 anos de St. Totteringham’s Day. Que nos deixa ainda mais perto de uma segunda temporada consecutiva indo para a UEFA Champions League. E à todos que torceram por uma vitória nossa neste domingo incrível. Com o perdão na palavra, vocês são fodas!

#COYS

Facebook Comments