Quando é necessário um meio termo

Quando é necessário um meio termo

Nos últimos dias muitos me cobraram um texto sobre o momento do Tottenham, preferi esperar para não ir para nenhum extremismo, além obviamente de esperar alguns posicionamentos de jornalistas que acompanham o cotidiano do clube, para assim termos um melhor contexto sobre o que ocorre num momento do clube.

O jornalista Alasdair Gold, postou um texto hoje no Football London, no seu já tradicional jogo rápido de perguntas e respostas, com torcedores do clube. Quem quiser o link, está abaixo.

https://www.football.london/tottenham-hotspur-fc/news/toby-alderweireld-contract-ndombele-pochettinos-16827708

Caso você não entenda inglês, ou simplesmente não queira ler, o jornalista deixa bem claro que Pochettino não corre risco de perder o emprego, independentemente do resultado contra o Arsenal, além de dissipar algo relacionado a problemas no vestiário, entre jogadores e técnico. A matéria ainda diz que uma possível pressão por título, vem muito mais do próprio Mauricio, do que do clube.

É justamente este ponto que eu quero abordar, sem extremismos, seja de defender incondicionalmente Mauricio e seu trabalho, porém ao mesmo tempo, sem dizer que os últimos cinco anos foram uma completa perda de tempo. O Tottenham de 2015/2016 e 2016/2017, teve em muitos momentos, ou na temporada como um todo: o melhor ataque, melhor defesa, melhor saldo de gols e para muitos o melhor futebol da Premier League.

As campanhas entretanto, tiveram os Spurs marcando 70 e 86 pontos respectivamente, em especial na primeira, mas também na segunda, onde conseguimos com sobras nossa melhor campanha na história da Premier League, os lillywhites tiveram ótimos desempenhos, porém resultados que muitas vezes não condiziam com o que a equipe jogava, leia-se furar sistemas defensivos mais fechados. Uma marca desse período, foi um certo desleixo em relação ao quesito copas nacionais, onde caímos para Arsenal e Liverpool na Copa da Liga Inglesa, enquanto caímos para o Borussia Dortmund e o Genk na Liga Europa, algo que eu acho um erro, nas taças locais, dado o jejum de títulos do clube, porém é sempre bom lembrar que é algo recorrente de todos os técnicos que passaram pelos Spurs nas últimas décadas.

A partir de 2017/2018, com a maturação do trabalho do Manchester City, o sarrafo subiu demais, com o time de Pep Guardiola, tendo como média, os bizarros 99 pontos, enquanto os Spurs ficaram com média de 74, o que dá algo em torno de pouco mais de 8 vitórias de diferença. O que aconteceu nas duas últimas, foi uma certa inversão, se o Tottenham de outros tempos, tinha amplas dificuldades para obter resultados mesmo jogando bem, em alguns momentos, em especial em 2018/2019, o time tinha resultados sem jogar bem e depois sem bom futebol e resultados no campeonato, depois de fevereiro, após a derrota para o Burnley.

No caso das copas, em 2018 caímos para as limitações mentais, na semifinal diante do Manchester United na derrota por 2 a 1, além do mesmo 2 a 1 diante da Juventus, nas oitavas de final da Champions League. Em 2019, os problemas físicos, em especial pós copa do mundo, nos custaram a semifinal da Copa da Liga diante do Chelsea, sem Kane, Son, Sissoko, Dele Alli e outros fora do segundo jogo, ou parte dele, num confronto crucial.

A parte física claramente também pesou, na segunda metade da temporada, mas o time pode e deve mostrar mais futebol que atualmente, se Pochettino “achou” um 4-3-1-2 em novembro passado, é necessário mais do que isso para conseguir desempenhos e futebol mais aceitáveis. Num recorte dos últimos 45 pontos disputados de Premier League, o time só conquistou 15, ou seja 33% de aproveitamento, algo digno de time de segunda metade de tabela.

O “detalhe” desse período, é que temos mais cinco jogos, com três derrotas e duas vitórias, que nos levaram a uma final de Uefa Champions League, que vamos combinar foi algo que ninguém esperava, ou que o clube se planejou para fazer neste momento. Neste espaço amostral, é bom lembrar que Eriksen vem em fase pouco inspirada, Dele Alli idem, além de um Harry Kane muito mais lesionado, do que saudável. O que leva há mais questionamentos sobre a não titularidade de Vertonghen que era um dos poucos nomes incontestáveis, sem jogar um minuto até agora em 2019/2020.

Como disse é necessário encontrar um meio termo entre as indefinições sobre os futuros de jogadores e muitas vezes isso afetar a escalação titular, mesmo com a janela para saídas aberta até 2 de setembro, entre jogar um futebol vistoso e obter resultado, entre priorizar copas, terminar com um importante jejum de títulos e ainda conseguir uma vaga na Uefa Champions League. Entre olhar tudo como fim do mundo e analisar as coisas com inércia excessiva. É sempre bom olhar as coisas através de um meio termo.

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