Ser Tottenham é presenciar o impossível 

Ser Tottenham é presenciar o impossível 

O meu 7 de maio de 2019 não foi nada fácil. Vi Liverpool x Barcelona sob intenso estresse. Sequer fui trabalhar.

Mal dormi.

O dia 8 começou menos pior que o anterior, porém, ainda disperso em razão dos acontecimentos. E não se tratava de futebol. Aliás, antes fosse.

Quando o Tottenham entrou em campo, eu estava indo para a minha cabine de trabalho, no Mineirão, onde dali transmitiria Cruzeiro x Emelec pela Libertadores.

Eu tentava me concentrar e seguir a rotina de sempre: analisar padrões táticos, ver possibilidades de cada time, explicar como os equatorianos trabalhavam a bola… porém, sejamos sinceros: eu não estava ali.

Liguei na transmissão para ver o que se passava. Era um Ajax volumoso, de toques refinados, de futebol total – desses que só os holandeses são capazes de proporcionar.

Bom, mas e o Tottenham?

Antes, um breve histórico sobre o que é ser Spurs.

Quando começou a Liga dos Campeões, já lamentamos pelo sorteio: caímos num grupo com Inter e Barcelona – e para variar, passamos com um gol tardio no Camp Nou de Lucas Moura – o futuro herói improvável. Nesse caso, a vida já dava seu primeiro sinal.

Na sequência, o Borussia Dortmund foi uma presa surpreendente fácil e o Manchester City, bem… vocês viram há algumas semanas.

Não estamos acostumados a essas reviravoltas de cinema. Não sabemos o que é ser um gigante europeu. Não tínhamos ideia do que era Champions League há alguns anos.

E aqui estamos, de volta para o segundo tempo na Johan Cruijff Arena.

O tal herói, por vezes comparado com fenômenos brasileiros, fez basicamente o que o torcedor sofrido de White Hart Lane sonhava, sem nunca almejar em sua realidade: um milagre.

Coincidência ou não, Lucas vem mostrando que os tais heróis improváveis também são competentes. Afinal, o primeiro hat-trick no novíssimo Tottenham Stadium foi dele.

E o maior hat-trick da história do Tottenham também.

Virar uma partida decisiva de semifinal de Champions após um 2-0 contra mostra que alguém está olhando para o Norte de Londres. O que estamos presenciando não é normal.

Seja o que for, é hora de aproveitar, sabendo que poucas coisas são sem explicação, e o futebol é uma delas.

Só ele é capaz de fazer com que a gente se afaste dos nossos problemas, foque na emoção do que é viver algo especial, e sentir que a vida só vale a pena por saber que podemos ter esses momentos.

Obrigado ao Tottenham por me proporcionar esquecer, mesmo por algumas horas, que a vida é bem mais pesada do que deveria.

Viver essa alegria nos fortalece e engrandece.

Chegou a hora de ousar em Madri.

Por Leandro Cabido (Jornalista e Colunista. Comentarista e coordenador de Esportes da Rádio Super 91,7 FM. Editor do blog First Down. E-Sports. F1).

 

 

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